Terça-feira, 30 de Outubro de 2007
Esta não vai ser uma disciplina com muitas leituras obrigatórias mas, de qualquer forma, parece-me que neste momento pode ser interessante parar para reflectir um pouco.
É uma tarefa muito complicado escolher apenas um recurso quando tanto há para partilhar e discutir. Depois de alguma indecisão acabei por optar por um que para mim é uma referência importante, até porque me fez despertar para algumas questões que hoje procuro colocar em prática em todas as disciplinas que lecciono.
Procurem dentro do nosso grupo por um artigo com o título "e-Learning 2.0" do Stephen Downes (através deste
link é fácil chegar lá).
Leiam, reflictam e partilhem a vossa visão sobre as questões apresentadas!
De Judite Lucas a 2 de Novembro de 2007 às 01:12
Muitos obstáculos com efeito. Todos os dias, a todos os níveis.
Não é contudo por se utilizar a plataforma A ou B, embora concorde que haja plataformas mais "user-friendly" que outras. Eu uso a plataforma Moodle, e embora não seja uma adepta incondicional, não posso concordar quando se diz que esta foi criada para uma partilha de conteúdos quase rígida. Pois se assim fosse, nem mereceria sequer, a meu ver, o nome de plataforma. Mais se assemelharia antes a um Repositório de conteúdos. Se é isso que a maior parte dos professores faz com o Moodle, então não estão, claramente, a tirar o devido partido de todo um conjunto de ferramentas que existem de facto, e que permitem criar "dinamismo, espaços abertos e mais flexíveis de discussão e colaboração". E podem de facto tornar-se esses espaços abertos, pois só os fecha quem quer.
Os próprios alunos, muitas vezes, preferem que esses espaços sejam de facto fechados. E a minha intervenção, mais do que falar do Moodle, pretende precisamente falar dos alunos. Porque dos professores, do excesso de trabalho, da falta de condições, já outros falaram. E naturalmente afectam - muito! - não só os professores como também os alunos. No entanto, ainda que os professores estejam motivados, ainda que incentivem a participação em projectos, a utilização de ferramentas várias para que os alunos possam "discutir uma variedade de tópicos com os seus pares, em todo o mundo", eu pergunto-me: quantos dos nosso alunos têm essa capacidade? Quantos têm sequer essa motivação? Alguns, sem dúvida. Mas infelizmente muitos há que não o sabem fazer, que não o querem fazer. Não quero com isto dizer que estou pessimista ou que devemos desistir, bem pelo contrário. Mas penso que esse é sem dúvida um factor importante, e que pode deitar por terra todo o esforço que se faça: quer institucional quer profissional, quer pessoal.
A cada momento, é preciso avaliar muito bem se, para um determindado grupo de alunos, numa determinada situação e num dado contexto, a web 2.0, e o E-learning 2.0 serão as melhores opções. Começar a casa pelo telhado é muitas vezes meio caminho andado para que o professor que embarca na aventura hoje não queira fazer parte dela amanhã. Talvez que alguns dos nossos colegas continuam "agarrados" aos métodos tradicionais o façam por incursões mal sucedidas no uso da tecnologia; outros talvez porque ainda não se sentem preparados para iniciar a viagem; outros porque entendam serem esses os métodos mais adequados à massa humana que enfrentam no dia-a-dia. Muitos dos nossos alunos são como casas sem alicerces. E sem bons alicerces, não é certamente possível construir boas casitas, nem bons prédios. Muito menos arranha-céus! E no entanto, não são os arranha-céus que os fascinam?!
Se a minha participação nesta comunidade me ajudar a descobrir como aproveitar esse fascínio para os levar a querer construir bons alicerces, darei por bem empregue o meu tempo, para que o tempo dos meus alunos o seja também.
Cumprimentos a todos.
JLucas
Comentar: