Terça-feira, 30 de Outubro de 2007
Esta não vai ser uma disciplina com muitas leituras obrigatórias mas, de qualquer forma, parece-me que neste momento pode ser interessante parar para reflectir um pouco.
É uma tarefa muito complicado escolher apenas um recurso quando tanto há para partilhar e discutir. Depois de alguma indecisão acabei por optar por um que para mim é uma referência importante, até porque me fez despertar para algumas questões que hoje procuro colocar em prática em todas as disciplinas que lecciono.
Procurem dentro do nosso grupo por um artigo com o título "e-Learning 2.0" do Stephen Downes (através deste
link é fácil chegar lá).
Leiam, reflictam e partilhem a vossa visão sobre as questões apresentadas!
De RCabete a 1 de Novembro de 2007 às 19:36
Na generalidade, concordo com a maioria das ideias do texto. Que a aprendizagem a distância não é uma moda ou uma quimera já todos concordamos – o que falta agora, e sobretudo no nosso país, são soluções de implementação, não só técnica mas, sobretudo, humana.
Quem trabalha em escolas tem noção das várias dificuldades levantadas pelo uso das TIC. Quase 10 anos depois da generalização dos computadores e das ligações à Internet, ainda é raro encontrar um aluno com ligação particular à Internet e não é preciso muito esforço para encontrar um professor sem correio electrónico (quantas vezes orgulhosamente...), menosprezando os outros pelas suas aventuras nas “novas” tecnologias que, para estas mentes, não devem passar de uma moda passageira ou de mais uma modernice...
Concordado com a Filomena, esta aversão, digna de fanatismo religioso, tem raízes profundas e não é exclusiva dos professores mais idosos. Vejo com grande desgosto professores recém-licenciados e até estagiários, sem outro contacto que não seja um telemóvel e um endereço de correio electrónico que consultam de 6 em 6 meses, se ainda se lembrarem da password. Entre os alunos a situação é ainda mais gritante: há os que sofrem a 110% o tal choque tecnológico prometido pelo governo e os que hão-de ter efectivamente um grande choque quando perceberem que viveram grande parte das suas vidas na idade média. A todos a escola tenta oferecer (bem, as que oferecem) algum contacto com o mundo actual mas, como é inevitável, alguns aproveitarão mais que outros.
Pela percepção que tenho, o tipo de adopção que as escolas tendem a fazer das LMS é mais vocacionadas para o complemento da aula presencial e, aí, também me parece que o aproveitamento é pobre. Porém, não podemos esquecer que nas escolas portuguesas, os alunos podem contar com o “luxo” que é a presença de um professor pelo que compreendo que não haja incentivo de maior para a utilização mais imersiva destas plataformas.
Como podemos ultrapassar este atraso e abraçar as TIC? Honestamente não sei! Os problemas são, efectivamente, estruturais e precisarão de tempo para serem completamente solucionados mas enquanto as famílias não tiverem dinheiro suficiente para viver condignamente não pensarão em computadores e Internet; enquanto os recém-licenciados em educação (como agora lhes chamam os actuais inquilinos do Ministério da Educação) souberem que o seu único destino é o desemprego não investirão com o mesmo interesse na sua formação; enquanto os professores no activo se sentirem diariamente ameaçados na sua dignidade não procurarão evoluir; enquanto as escolas estiverem apetrechadas com computadores dignos de exibição num museu de tecnologias passadas e a ligação à Internet só funcionar aos Domingos dos anos bissextos, tenho a certeza absoluta que não sairemos de onde estamos.
Haja esperança!
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